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Voluntários abrem suas casas para receber animais silvestres resgatados

on junho 5 | em Fauna na Mídia, FIQUE POR DENTRO | by | with No Comments

Lenita amamenta um filhote de primata que ela acolheu. Foto: Márcio Silva

Lenita amamenta um filhote de primata que ela acolheu. Foto: Márcio Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

‘Guardiões’, eles ajudam a suprir a falta de políticas públicas voltadas à gestão da fauna no Amazonas

A pressão exercida pela exploração comercial, pelas redes de tráfico de animais e pelo impacto humano no avanço desordenado da zona urbana sobre as áreas verdes de Manaus levou, só nos cinco primeiros meses deste ano, 245 silvestres ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis do Amazonas (Ibama-AM), na Zona Sul – uma média de 49 animais apreendidos ou entregues voluntariamente ao órgão todos os meses. Nesse ritmo, a cada cinco anos seria possível encher, só com espécies resgatadas em Manaus, o maior zoológico do Brasil: o Zoo de São Paulo, cujo plantel hoje conta com cerca de 3,2 mil animais.

Para agravar o cenário, os dois únicos Cetas de Manaus – do Ibama e o Cetas Reserva Sauim Castanheira, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), na Zona Leste, – o primeiro “destino” desses animais, enfrentam problemas. Em condições precárias, o Cetas Sauim Castanheira está fechado desde dezembro, após sucessivos furtos de espécimes abrigadas na reserva – de dezembro até maio 30 animais foram furtados, e apenas dois recuperados.

De outro lado, o Cetas do Ibama-AM já atingiu a lotação máxima e pode ter que fechar as portas temporariamente para novos animais em breve, alerta a analista ambiental do órgão, Cristina Isis Buck Silva, do Núcleo de Fauna do instituto. “Este ano já recebemos 245 animais. No ano passado, quando o Cetas da prefeitura estava aberto, recebemos 178. Agora toda a pressão sobre o resgate de animais é aqui. E a gente já está chegando no nosso limite. Se esse número continuar a aumentar nesse ritmo a gente logo vai ter que, infelizmente, fechar nosso Cetas”.

Em meio a esse cenário preocupante, voluntários vêm fazendo a diferença ao abrir suas casas para receber os animais e investir muito mais que recursos na construção de recintos: eles também dedicam tempo, paciência e carinho às mais variadas espécies. Do jabuti à onça pintada, os bichos são levados a espaços feitos sob medida para eles em casas e sítios de verdadeiros “guardiões” da fauna. E não é só apelido não. Entre as categorias de voluntários existem pouco mais de 30 guardiões de fauna registrados no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), de acordo com o gerente de Fauna do órgão, Marcelo Carvalho.

Mas, de acordo com Cristina Silva, é de outra categoria de voluntários – os mantenedores –  que vem a maior ajuda. A maior deles – uma engenheira ambiental paulista de 67 anos, radicada em Manaus desde 1982, mãe de quatro e avó de cinco – mantém, no “quintal” da casa onde mora, bem no coração da Zona Centro-Sul da cidade, 112 animais de diferentes espécies, sendo 65 silvestres.

O plantel da reserva Cariuá (homem branco entre os indígenas, em tupi), de Lenita Alves de Toledo, hoje é maior, inclusive, que o do Cetas Reserva Sauim Castanheira, onde restam apenas 40 animais. Macacos barrigudos, coatás, pregos, cairaras, jupará, quati, antas, queixada, jabutis, tracajás tartarugas, paca, mutum, jacamim, gaviões, araras, maracanãs, jaguatirica e até uma onça pintada e outra parda estão entre as espécies das quais Lenita cuida. Para dar conta do manejo e alimentação desse “batalhão selvagem”, ela conta com a ajuda de um tratador e um zelador, tudo bancado por recursos próprios.  “É um orgulho para mim, mas também um desafio: são muitas exigências para um plantel tão diversificado como o nosso. Invisto a renda mensal que geram meus imóveis para manter tudo isso funcionando”, revelou, sem detalhar valores.

O panorama é preocupante, aponta Robson Czaban, do Ibama-AM, que ressalta a importância dos voluntários. “Neste momento o que mais nos falta é espaço. Mas, de uma forma geral, não há interesse da população. Seria importante ter mais pessoas como a dona Lenita. Mas a legislação impõe muitas amarras e nem todos querem se submeter a isso. A Lenita é uma honrosa exceção à regra: é uma das poucas pessoas que têm espaço, disponibilidade e coração para fazer isso”.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/governo/news/voluntarios-abrem-suas-casas-para-receber-animais-silvestres-resgatados

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