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WMulher – Responsabilidade Social e Ética: Brasil fornece 95% dos animais vendidos ilegalmente no mundo

on março 8 | em FIQUE POR DENTRO, Renctas na Mídia | by | with No Comments

Por: Engel Paschoal

Oficialmente, autoridades brasileiras reconhecem que dois milhões de espécimes são retirados anualmente da nossa fauna. No entanto, relatório feito em 2001 pela Renctas – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres revelou que o número verdadeiro é de 38 milhões de espécimes. E mais: o comércio ilegal de animais movimenta US$ 1,5 bilhão por ano no Brasil e o País fornece 95% das espécies vendidas ilegalmente no mundo. O tráfico de animais é o terceiro maior comércio ilegal do planeta, atrás das drogas e armas, girando entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões/ano.

Segundo o relatório da Renctas, 60% dos animais capturados no Brasil são comercializados aqui e 40%, exportados. Há quatro tipos de destinatários: colecionadores particulares, indústrias químicas e farmacêuticas (biopirataria), artesanato e pet shops. Para a biopirataria, seguem animais venenosos (aranhas, cobras, escorpiões e sapos). O artesanato usa penas, ossos, garras, dentes e peles. Nos pet shops, são vendidos araras, papagaios, tucanos, pássaros de canto e peixes ornamentais, que chegam a custar US$ 1.500. Nos EUA, um filhote de jibóia vale entre US$ 800 e US$ 1 mil. Mas há espécies brasileiras que chegam a custar US$ 60 mil e outras, na lista de espécies ameaçadas, por exemplo, têm o valor aumentado em mais de 1.000%. De cada 10 animais retirados da natureza, só um chega ao consumidor final: nove morrem durante a captura ou transporte. Além disso, os traficantes fazem de tudo para burlar a fiscalizaçã dão soníferos para as espécies que fazem barulho, embebedam macacos com pinga e cegam aves.

Dados da Renctas revelam que há entre 350 e 400 quadrilhas internacionais especializadas em animais silvestres. No Brasil, as principais rotas de tráfico partem das regiões Norte (Amazonas e Pará), Nordeste (Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia) e Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Dali, os animais vão para São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, e são vendidos em feiras livres ou exportados. Os destinos internacionais são EUA, Europa (Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Suíça, Itália e França) e Ásia (Japão e Cingapura). Existe ainda uma rota importante de retirada de animais silvestres brasileiros através das fronteiras da Amazônia, nas quais os animais recebem documentação falsa. Dos animais traficados, 82% são aves, preferidas pela plumagem e canto.

Mas há um bravo defensor dos animais e inimigo dos traficantes: o brasileiro Dener José Giovanini, que, em 1999, fundou a Renctas. Ela faz campanhas nacionais e internacionais de conscientização; dá cursos e treinamentos para agentes responsáveis pela fiscalização ambiental; desenvolve projetos de pesquisa e conservação da fauna; elabora bancos de dados e programas de controle e suporte às operações de fiscalização; e faz relatórios sobre o tráfico de animais. Com apenas 11 membros efetivos e o apoio de cerca de 900 voluntários, em todo o Brasil, a Renctas já deu cursos e treinamento em 16 Estados e tem programação para mais cinco. Os voluntários são estudantes, professores, biólogos e veterinários que trabalham com educação ambiental ou acompanham as apreensões para cuidar dos animais. Dos treinamentos participam policiais federais, rodoviários e fiscais de órgãos ambientais federais, estaduais e municipais. Entre as informações transmitidas, estão técnicas utilizadas pelos traficantes para esconder os animais ou falsificar documentos, legislação, transporte, avaliação do estado de saúde dos animais apreendidos e prestação dos primeiros socorros.

Em 19 de novembro passado, Dener José Giovanini recebeu, junto com o chinês Xie Zhenhua, o prêmio Sasakawa de Meio Ambiente 2003, entregue por Kofi Annan, secretário geral da ONU. Antes de Giovanini, o seringueiro Chico Mendes havia sido o único brasileiro premiado com o Sasakawa, em 1990. “Com a divulgação do prêmio, esperamos que o tráfico de animais silvestres ganhe visibilidade e entre na pauta do governo brasileiro. Os formuladores de políticas públicas desconhecem a dimensão do problema e quanto o País perde com ele. Claro que isso se reflete nas deficiências dos órgãos fiscalizadores, que não têm pessoal, estrutura e recursos para um combate mais efetivo”, diz Giovanini. Para ele, a ausência de políticas públicas junto às comunidades mais carentes, que alimentam o tráfico de massa, sobretudo de pássaros, papagaios e araras, mostra que a falta de opção de renda faz com que a maioria dos habitantes dessas comunidades retirem os animais da natureza e os entreguem aos traficantes. Ambientalista desde os 15 anos, Giovanini se interessou pelo combate ao tráfico da fauna quando foi secretário de Meio Ambiente de Três Rios, RJ, e conheceu as dificuldades para apreensões. A Renctas publicou o livro “Vida à Venda” e já distribuiu mais de 10 mil kits de educação ambiental para escolas, ONGs e sindicatos. Ela tem o site www.renctas.org.br e também faz, com a Infraero, exposições sobre o tráfico de animais silvestres em aeroportos do País.

Do bem – No canal 3o. Setor do www.maxpressnet.com.br tem novidade toda hora.

* Apoio do Instituto Ethos (www.ethos.org.br)

Engel Paschoal (engelp@terra.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre Responsabilidade Social.

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