No AM, centro que usa pelúcia como ‘mães’ recebeu 62 filhotes em 2013No AM, centro que usa pelúcia como ‘mães’ recebeu 62 filhotes em 2013

Bichos de pelúcia aquecem animais órfãos.
Estratégia ganhou repercussão com uma campanha do Ibama.

15/02/2014 11h03 – Atualizado em 15/02/2014 11h14

 Girlene Medeiros

Do G1 AM

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Preguiça-real foi entregue ao Ibama há um ano (Foto: Girlene Medeiros/G1 AM) Em Manaus, biólogos e veterinários utilizam bichos de pelúcia para cuidar de animais silvestres resgatados e entregues ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os brinquedos funcionam como “mães postiças” dos filhotes que chegam à unidade do órgão nos primeiros meses de vida. A estratégia ganhou repercussão com a divulgação da campanha “Doe um Bichinho de Pelúcia a um Bichinho de Verdade”. Somente em 2013, 62 filhotes foram entregues ao órgão.

A ação é realizada pelo Centro de Triagem de Animais do Ibama em parceria com a Gerência de Fauna (GFAU) do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Quando são filhotes os animais passam a maior parte do tempo agarrados e pendurados aos pais, por quem são carregados.

Um dos animais beneficiados com a ideia é uma preguiça-real, carinhosamente chamada de Hissa.  Com aproximadamente um ano de idade, a filhote foi encontrada no quintal de uma casa no bairro São Jorge, na Zona Oeste de Manaus em fevereiro de 2013. “Provavelmente, ela se desprendeu da mãe”, disse a bióloga do Ibama Natália Lima. Quando não está no colo da bióloga, a filhote se mantém agarrada a um bicho de pelúcia.

O brinquedo tenta preencher a ausência da mãe de Hissa, que começa a ficar menos dependente após os dois anos de idade. “Estamos tentando colocá-la em contato com árvores aos poucos, mas ainda é preciso que o animal amadureça, até mesmo psicologicamente, para ser reinserido na floresta. Enquanto isso, o ursinho de pelúcia é mantido com ela”, disse Natália. Quando chegar à idade adulta, a preguiça pode pesar de quatro a oito quilos.

O macaco-parauacu é outro filhote que recebe os cuidados. O animal foi encontrado na BR-174 (Manaus-Boa Vista). Segundo Diogo Lagroteria, veterinário do Ibama, uma família achou o filhote no acostamento da rodovia e o encaminhou para o Ipaam. O animal chegou ao Centro de Triagem em novembro do ano passado.

O filhote se mantém sempre próximo a um bicho de pelúcia. A referência materna é também responsável por aquecer o animal que tem três meses de idade. “Assim que ele chegou, nós colocávamos uma garrafa com água morna enrolada em um lençol. Com o tempo, passamos a usar o bicho de pelúcia”, explicou Natália.

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Macaco-parauacu chegou ao Ibama em novembro de 2013 (Foto: Girlene Medeiros/G1 AM)

O macaco-parauacu vive em bandos e o aprendizado é obtido com os animais da mesma espécie. Por causa disso, o Ibama avalia que o filhote não tenha condições de ser devolvido à floresta e procura um criador legal para o animal, que pode ser um mantenedor de fauna autorizado ou um zoológico.

No ano passado, o Centro de Triagem de Animais do Ibama recebeu 524 animais. Desses, 242 foram entregues espontaneamente por quem o encontrou ou mantinha em casa. O instituto recebe também animais silvestres apreendidos em ações da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Ipaam, Batalhão Ambiental e Instituto Chico Mendes. São papagaios, gavião, onças, macacos, preguiça e cobras, que totalizam 40 animais mantidos no Centro de Triagem do instituto.

De acordo com a lei de Crimes Ambientais, manter animais silvestres em cativeiro é ilegal. Para entregar os animais ao Ibama, é preciso entrar em contato com os funcionários do órgão pelo telefone 3878-7124 ou se dirigir ao Instituto, localizado na Avenida Ministro João Gonçalves de Souza, no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus.

 http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2014/02/no-am-centro-que-usa-pelucia-como-maes-recebeu-62-filhotes-em-2013.html

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