Portal Globo.com – G1 – Jacaré morre horas depois de ser capturado em rede de esgoto no DF

Réptil de 60 kg vivia há cerca de dois anos no local, dizem funcionários.
Técnicos do Ibama preparavam a devolução do bicho para natureza.

Do G1 – DF

 
Jacaré capturado na Estação de Tratamento de Esgoto de Samambaia, no DF (Fot Raquel Morais/G1)
Jacaré capturado na Estação de Tratamento de Esgoto de Samambaia, no DF.
Foto: Raquel Morais/G1
 
Equipe envolvida na captura do jacaré que estava na Estação de Tratamento de Esgoto de Samambaia, no DF (Fot Batalhão de Polícia Militar Ambiental/Divulgação)
Equipe envolvida na captura do jacaré que estava na Estação de Tratamento de Esgoto de Samambaia, no DF.
Foto:  Batalhão de Polícia Militar Ambiental/Divulgação

O jacaré-de-papo-amarelo capturado na madrugada desta terça-feira (11) na Estação de Tratamento de Esgoto da Samambaia, no Distrito Federal, morreu horas depois no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama.

O bicho pesava cerca de 60 quilos e tinha 1,5 metro. Segundo relato de funcionários da estação de esgoto, o jacaré se escondia há cerca de dois anos no local.

Gutemberg Machado Mascarenhas, chefe da divisão técnica da superintendência do Ibama no DF, diz que a morte foi constatada durante a preparação do novo recinto do jacaré. Mascarenhas afirma que somente um exame mais detalhado poderá apontar a causa da morte. “Enquanto preparávamos o recinto, percebemos que o animal tinha morrido. A gente acredita que ele já tivesse debilitado por ter vindo de lá [estação de esgoto]. Jacaré é um animal de ambiente limpo”.

Mascarenhas diz que o corpo do réptil será levado nesta quarta-feira (12) para o Hospital Veterinário da Universidade Nacional de Brasília(UnB).

Durante o período em que permaneceu na estação, o jacaré se alimentava principalmente de aves aquáticas que pousavam na lagoa. Há cerca de um mês, o bicho atacou um cachorro. Foi quando equipes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) iniciou uma a operação para capturar o réptil.

Nesta terça-feira (11), policiais usaram uma isca com tripas de galinha que ficaram acondicionadas em um saco plástico por três dias. O material foi deixado às margens de um trecho da estação para atrair o animal.

De acordo com o sargento Luciano Cunha, o uso da isca com tripas de galinha foi necessário porque o bicho já havia se adaptado às condições do ambiente e não aceitava alimentos frescos. “Ele estava vivendo na primeira etapa da estação. Lá, a profundidade é de seis metros, mas só tem 30 centímetros de água. O restante é de componentes sólidos”, explica.

O réptil foi capturado por volta das 4 h. “Em situações como essas, uma das ações que policial deve tomar é subir nas costas do animal, amarrar a boca e tampar os olhos dele”, disse o coronel Ribas.

Da estação de tratamento de esgoto, o animal foi levado para o BPMA onde foi monitorado por um veterinário da corporação. O primeiro procedimento após a captura foi lavar o animal, que estava impregnado de resíduos do esgoto.
Para o coronel Ribas, o réptil não chegou à estação naturalmente. “O tipo mais comum no cerrado é o jacaretinga, não o papo-amarelo. Mas, de qualquer forma, não é natural encontrar jacarés no Distrito Federal. Eles sempre são trazidos por alguém, geralmente que criava em casa e que se assustou ao ver que ele crescia e ficava arisco”, afirmou.

Por volta das 13h40, o réptil foi levado para o Cetas, informou o comandante do BPMA. No fim da tarde, técnicos do Ibama constataram a morte dele.

Deixe uma resposta