Região do Alto Tietê é considerada parte da rota do tráfico de animais, diz veterinário

De acordo com Jefferson Renan de Araújo Leite, na região ocorre o escoamento dos animais, muitas vezes trazidos das regiões Centro-oeste e Nordeste.

Alto Tietê é considerado parte da rota do tráfico de animais

A região do Alto Tietê é considerada rota para o tráfico de animais que, segundo a ONG Renctas, é o terceiro tipo mais praticado, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. No dia 17 de setembro, a Polícia Civil apreendeu em Mogi das Cruzes um filhote de macaco e diversos pássaros que seriam comercializados ilegalmente pelas redes sociais por dois homens.

De acordo com o veterinário Jefferson Renan de Araújo Leite, o Alto Tietê faz parte da rota do tráfico, porque é onde acontece grande parte do escoamento dos animais. “Nós temos um grande contingente populacional, onde é feita a venda desses animais. Aqui é um ponto final da rota do tráfico, onde é feito todo o escoamento desses animais para a população”.

Algumas espécies são mais comercializadas no Alto Tietê. “Principalmente as aves, entre elas os psitacídeos. Entram aí os papagaios, araras e outras espécies. Jabutis também são muito comercializados na nossa região. São animais trazidos das regiões Centroeste ou Nordeste do país”, afirma Leite.

Macaco foi apreendido durante prisão de suspeito de tráfico de animais em Mogi no dia 17 de setembro.  — Foto: Polícia Ambiental/Divulgação
Macaco foi apreendido durante prisão de suspeito de tráfico de animais em Mogi no dia 17 de setembro. — Foto: Polícia Ambiental/Divulgação

Ainda segundo o veterinário, alguns fatores dificultam a fiscalização deste tipo de crime. “Em um grande centro é bem mais complicado de fazer as investigações e a polícia também tem dificuldade, porque hoje a maioria desse comércio é feita pelos meios digitais, ou seja, pelas redes sociais, e a pessoa muitas vezes faz a entrega individualizada, o que dificulta bastante a fiscalização”.

Muitas dessas espécies alvos dos traficantes correm risco de extinção. “Infelizmente o tráfico não se importa com esses animais que estão ameaçados de extinção e muitas vezes você encontra animais que estão em vias de desaparecer nas mãos de traficantes ou mesmo nas mãos de pessoas que compraram desses traficantes”.

O veterinário acredita que o caminho para resolver esse problema está na conscientização. “Se não tiver o comprador não há o vendedor. É importante que as pessoas não comprem animais de forma ilegal, porque além de contribuir com o tráfico, com os maus-tratos dos animais, com a extinção de algumas espécies, também pode ser penalizado por isso, receber multas e inclusive sofrer sanções penais.”

Denúncias podem ser feitas na Delegacia do Meio Ambiente pelo telefone 4727-4782 ou no número do Ibama, o 0800-61-8080.

Tráfico de animais no Brasil

O 5° Relatório Nacional sobre a Biodiversidade, último divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente, indica 104.546 mil espécies de animais vertebrados e invertebrados em território brasileiro.

São 712 espécies de mamíferos que ocorrem no país, animais como onça-pintada, tamanduá-bandeira e boto-cor-de-rosa. Essas espécies enfrentam dificuldades para sobreviver em áreas degradadas. As aves somam 1,9 mil espécies e estão entre as mais ameaçadas pelo tráfico de animais.

De acordo com a ONG Renctas, estima-se que:

  • 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza todos os anos no Brasil;
  • 9 de cada 10 animais traficados morrem antes de chegar às mãos do consumidor final;
  • US$ 2 bilhões são movimentados anualmente por esse comércio ilegal no país;
  • 3ª maior atividade ilegal do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas.

A Renctas é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que luta pela conservação da biodiversidade. Baseada em Brasília-DF, desenvolve suas ações em todo o Brasil, por meio de parcerias com a iniciativa privada, o poder público e o terceiro setor.

Criação legal de animais

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), um animal silvestre em cativeiro tem origem legal quando é comprado em um criadouro autorizado a comercializar a espécie pelo órgão estadual de meio ambiente.

O espécime deverá ser recebido com marcação e Certificado de Origem emitido pelo Sistema Nacional de Gestão da Fauna Silvestre (Sisfauna).

“É possível ter animais silvestres legalizados, porque os órgãos ambientais permitem que alguns animais sejam criados e comercializados. Então é importante que a pessoa, ao adquirir um animal, compre esse animal de um criador legalizado, com nota fiscal, com identificação que pode ser por microchip, por anilha”, explica Jefferson Renan de Araújo Leite.

“Existe uma lista de animais que é confeccionada pelos órgão ambientais e que, entre outras características, dão preferência a animais que têm maior facilidade de convívio com ser-humano, não tem potencial de invasão de outros habitats”, continua.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2020/09/28/regiao-do-alto-tiete-e-considerada-parte-da-rota-do-trafico-de-animais-diz-veterinario.ghtml

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